Só o teu amor é tão real
Tantas vezes te quis dizer que te amo, tantas vezes te quis mostrar o que falava o meu coração, mas nunca consegui. Ainda hoje, cinco anos passados, não consigo dizer-to. Mas a verdade é que te amo, a verdade é que é difícil viver sem ti. Contigo, sou uma pauta repleta de melodia. Sem ti? Sem ti simplesmente não existo.
O que é isto? Amor talvez. Mas deveria ser muito mais porque o amor que se alimenta de ausência não pode ser amor de verdade. Amor cuja fome se sacia com um beijo esporádico e com conversas diárias, não pode ser daqueles que todos falam. Quando as pessoas que me rodeiam falam de amor, falam também de presença, de toques, de mimos, de tudo o que as pessoas apaixonadas fazem. Mas nós estamos apaixonados, eu pelo menos, e não fazemos nada disso. Eu desejo-te, tu desejas-me, mas não nos temos. Falamos, mas as palavras vão desaparecendo e a vontade de te ter prossegue.
Dizes-me, eu digo-te, mas no fundo não dizemos nada. Olhas-me e sei que me estas a dizer «Amo-te», mas da tua boca nada sai. E da minha, só sai o silêncio. Mas nós sabemos que nos amamos, apesar de não ser um amor verdadeiro, daquele estereotipado pela sociedade. Sei que me amas porque estás lá, sempre lá quando eu preciso de ti. E sempre que não preciso, estás lá também. Estás sempre na minha vida, desde que entraste nela a primeira vez. E mesmo antes, acho que já fazias parte da minha vida antes de nela entrares.
Sabes uma coisa? Quero ter-te comigo para o resto da minha vida, mesmo que seja assim, neste amor não verdadeiro.
-Vens-me buscar?
-Vou. Mas onde?
- Tanto faz, desde que me venhas buscar.
(Pedro Paixão – Histórias Verdadeiras)